Seu roteador pode ter portas USB na parte traseira, mas não recomendo utilizá-las. Esses conectores frequentemente operam com protocolos obsoletos e vulneráveis, que podem permitir que cibercriminosos acessem arquivos e informações sensíveis na sua rede. Se você está em busca de uma plataforma central de armazenamento, existem opções mais seguras disponíveis.
Você já se perguntou para que serve a porta USB-A na parte de trás do seu roteador Wi-Fi? Isso varia conforme o modelo. Por exemplo, a porta no roteador Asus RT-BE86U pode ser utilizada para compartilhamento simples de arquivos na sua rede, para carregar pequenos dispositivos e como um ponto de apoio para backups do seu computador em um disco externo. No entanto, a verdade é que não recomendo seu uso. Embora ter uma porta USB no roteador pareça conveniente, há alguns problemas a serem considerados.
Os pontos USB em roteadores não são seguros. Muitos deles utilizam protocolos antigos, o que cria vulnerabilidades que podem ser exploradas por pessoas mal-intencionadas. Isso não significa que todo o roteador esteja comprometido, mas a porta USB pode ser um elo fraco. Usá-la não é um risco que vale a pena correr, especialmente quando existem alternativas mais seguras.
Vamos analisar as principais razões para evitar o uso da porta USB no seu roteador e o que você deve fazer em vez disso.
- É um risco à segurança
Quando menciono "protocolos ultrapassados", estou me referindo principalmente ao FTP (File Transfer Protocol). Este é um protocolo antigo dos anos 70 que não oferece criptografia; até mesmo senhas são transmitidas em texto simples. O FTP foi amplamente substituído pelo protocolo HTTPS, mas mesmo roteadores mais recentes, como o Asus RT-BE86U, possuem portas que ainda o utilizam. Segundo a Progress Software, um invasor poderia facilmente capturar essas credenciais com o conhecimento técnico apropriado, possivelmente obtendo acesso à sua rede.
Outro protocolo a ser observado é o SMBv1 (Server Message Block versão 1). Esse também é um protocolo de compartilhamento de arquivos que foi notoriamente explorado pelo ransomware WannaCry em 2017, infectando centenas de milhares de sistemas ao redor do mundo. A Microsoft tem incentivado empresas e profissionais de TI a desativarem esses protocolos legados, e seu uso de fato diminuiu, mas eles ainda persistem em dispositivos nas casas das pessoas. Considerando que o malware se torna mais sofisticado a cada ano, confiar nesses protocolos para transferências de arquivos por meio de um roteador é muito arriscado.
- É pouco confiável
Isso pode parecer óbvio, mas a principal função de um roteador é estabelecer e gerenciar uma rede sem fio. É para isso que seu hardware e software são otimizados. Quando um roteador se desvia de sua função principal, a qualidade da tecnologia tende a deteriorar.
A maioria dos modelos destinados ao consumidor não possui a capacidade de processamento necessária para lidar com suas tarefas de rede normais e transferências de arquivos ao mesmo tempo. Quando o roteador tenta gerenciar múltiplas demandas, você pode enfrentar:
- Velocidades de rede lentas
- Aumentos de latência
- Quedas de conexão
- Falhas de transferência de arquivos
Essa última questão pode se manifestar de várias maneiras. É possível que apenas parte do arquivo seja transferida, que a transferência seja interrompida ou, pior ainda, que o arquivo fique corrompido. Para garantir que as conexões permaneçam estáveis, evite usar a porta USB, especialmente se você possui um roteador mais antigo.
Artigos de 2013 já apontavam que o padrão USB 3.0 interfere em sinais Wi-Fi de 2,4 GHz. A tecnologia melhorou bastante desde então, mas ainda deve ser considerada. Outro problema potencial é o superaquecimento. A carga elétrica adicional coloca uma pressão extra sobre o hardware, aumentando as temperaturas internas, o que pode resultar em redução de desempenho. O calor excessivo não afeta apenas o roteador instantaneamente; ele também pode encurtar a vida útil do dispositivo.
O que eu recomendo em vez disso
Se você deseja um compartilhamento de arquivos e armazenamento de mídia confiável para sua casa, há alternativas muito mais seguras e eficientes.
Invista em um NAS
A melhor opção é investir em um NAS (Network-Attached Storage), que é essencialmente um mini servidor para sua casa. Embora um disco rígido externo possa realizar uma função semelhante, um NAS oferece uma grande vantagem: proteção de dados robusta.
Os dispositivos NAS geralmente suportam criptografia AES-256 para proteger arquivos e dados sensíveis. Muitos modelos também suportam RAID (Redundant Array of Independent Disks). Essa tecnologia distribui dados entre vários discos NAS, garantindo que seus arquivos permaneçam seguros mesmo se um dos drives falhar inesperadamente.
Se estiver interessado, vale a pena conferir uma lista de dispositivos de armazenamento em rede recomendados. O TerraMaster F8 SSD Plus é atualmente a melhor opção devido ao seu funcionamento silencioso, bom desempenho e tamanho compacto. Porém, custa mais de R$800. Para uma opção mais econômica, o QNAP TS-233-US 2-Bay é a melhor escolha.
Invista em armazenamento em nuvem
Outra boa alternativa é utilizar armazenamento em nuvem ao invés de depender de drives locais. Essas plataformas armazenam arquivos, fotos e vídeos online com segurança, tornando-os acessíveis em praticamente qualquer dispositivo com conexão à Internet. Para melhorar, a maioria dos provedores oferece planos gratuitos de armazenamento.
O Google tem um dos melhores serviços, oferecendo 15GB sem custo, enquanto o iCloud da Apple e o OneDrive da Microsoft disponibilizam 5GB de espaço cada. Embora esses planos sejam ótimos, eles podem ser preenchidos rapidamente. Todos os três oferecem assinaturas pagas que ampliam seu espaço disponível.
Uma palavra de cautela aqui: você pode se deparar com provedores de armazenamento em nuvem menos conhecidos que anunciam uma quantidade incomum de espaço gratuito, até 1TB. Embora muitos desses serviços cumpram o que prometem, levantam diversas bandeiras vermelhas. Você encontrará muitos fóruns discutindo a legitimidade e segurança desses serviços, por isso é prudente ter cautela.
Como usar a porta USB com segurança
Se você insistir em utilizar a porta USB do seu roteador, existem duas precauções importantes a serem seguidas. Primeiro, utilize-a apenas para arquivos que não sejam críticos. Evite compartilhar ou transferir qualquer coisa sensível pela porta. Limite-se a conteúdos de baixo risco, como filmes que você deseja compartilhar com outros na sua casa.
Em segundo lugar, instale atualizações de firmware assim que forem disponibilizadas para corrigir eventuais problemas de segurança e manter a estabilidade. Isso, claro, se seu roteador ainda estiver recebendo atualizações. Os fabricantes de roteadores descontinuam o suporte a modelos mais antigos. Se seu dispositivo não for mais suportado, considere minha lista com cinco produtos recomendados para melhorar seu Wi-Fi.
Passei quase uma década revisando hardware, software e diversos tipos de tecnologia consumidora — incluindo roteadores Wi-Fi. Como parte do meu trabalho, eu coloco os roteadores à prova para ver se valem a pena serem recomendados. Fico atento a qualquer alteração de velocidade que possa ocorrer, além de aprender sobre o que podem ou não suportar. Às vezes, um recurso, como uma porta USB, pode parecer útil, mas na prática não compensa seu uso devido a falhas significativas.
Meu objetivo é fornecer orientações baseadas em testes reais, permitindo que você faça escolhas inteligentes para sua rede doméstica. Também busco incentivar a confiança para gerenciar sua rede de forma eficaz. Com as informações corretas, você será capaz de identificar problemas antes que eles ocorram.
Outra observação: lembre-se de que essas não são regras rígidas. Pense nelas como uma base que você pode expandir, dependendo do seu sistema e necessidades.
Referência: https://www.zdnet.com/article/why-you-shouldnt-use-the-usb-port-on-your-router/
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